Esqueça o bacalhau norueguês na próxima Páscoa. Experimente o pirarucu, da Amazônia. Essa é a aposta do Grupo Pão de Açúcar, que vai distribuir com exclusividade o peixe nas regiões Sul e Sudeste. Em uma parceria com a comunidade ribeirinha da Reserva do desenvolvimento Sustentável de Mamirauá e o Governo do Pará, foi construída uma fábrica de salga dentro da reserva. A capacidade de processamento será de 1,5 mil toneladas por ano.
Graças a essa iniciativa, o pescado brasileiro será vendido como bacalhau. Ao contrário do que é divulgado, o nome não é de uma espécie de peixe, mas de uma metodologia de processamento para salgar. De acordo com a veterinária Meg Felippe, especialista no assunto, cinco espécies são "transformadas para esse fim". A mais nobre é a Gadus Morhua, também conhecida como "Porto Imperial".
O bacalhau da Amazônia, como será comercializado pela rede de supermercado, é grande, gorduroso, tem a carne escura e nada das águas mornas dos trópicos. A prova de fogo será na Páscoa de 2012. A expectativa do Pão de Açúcar, que vende mais de 5 mil toneladas de bacalhau importado por ano - é que a versão amazonense alcance 5% deste mercado.
O chef Julien Mercier é um dos levantam a bandeira em prol do pescado brasileiro. Ele considerou a iniciativa um "passo a frente para ganhar a batalha pela valorização da gastronomia brasileira". Ele explica que o pirarucu, processado como o bacalhau, pode substituir com categoria o peixe da Noruega ou de Portugal. "A diferença principal estar em ser um peixe de rio e ter o sabor mais pronunciado", diz o chef, que faz consultoria gastronômica. Para quem gosta de servir o peixe em lascas, o amazonense é ideal.
Mercier alerta que essa inserção nos hábitos alimentares, para os moradores do centros urbanos, deve respeitar a cadeia produtiva, do peixe ao pescador; do rio ao prato. Em 2011, durante o congresso Mesa Tendências o chef lançou uma campanha no twitter "#salvemobacalhau", devido ao risco de extinção das espécies utilizadas na salga. Entretanto, ele diz que não adianta preservar um e extinguir o outro. O consumo deve ser sustentável. Vamos aguardar a Páscoa para dar um novo sabor às receitas tradicionais.
Blog do Sidney Rezende
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