Liderado por Laurent Dagorn, um investigador sénior do Instituto de Investigação para o Desenvolvimento, em França, este consórcio internacional, multidisciplinar, trabalha para aliviar as pressões sobre as populações de tubarões.
Quer reduzir a reduzir as chamadas “capturas acessórias” provocadas por dois tipos generalizados de pesca: com espinhel e de cerco. Na primeira, usada para a pesca do atum e do espadarte, são utilizados milhares de anzóis. Na pesca por cerco, o método principal para a captura de atum em todo o mundo, são utilizadas grandes redes em forma de saco para cercar os cardumes de atum que às vezes também incluem tubarões.
Os tubarões luzidios, identificados como “quase ameaçados” pela União Internacional para a Conservação da Natureza, compõem a maior parte da captura acidental na pesca por cerco. Para desenvolver métodos de protecção, os investigadores estão a cruzar estudos biológicos e tecnológicos com análises económicas numa variedade de locais nos oceanos Índico e Atlântico.
Laurent Dagorn
Actualmente, o trabalho passa pela análise dos dados recolhidos e por explorar diferentes opções. Entre estas conta-se o encerramento de zonas de pesca nas épocas em que os tubarões são susceptíveis de estar nessa zona. Definir métodos para impedir que os tubarões sejam capturados pelos anzóis ou usar os sonares das bóias dos pescadores para fornecer informações sobre a captura acessória e libertar os tubarões depois de capturados são outras das hipóteses.
Até agora, 50 tubarões de várias espécies – incluindo tintureiras, tubarões luzidios e tubarões de pontas brancas – foram marcados electronicamente. Podem, assim, fornecer informações fiáveis sobre comportamento e migração durante mais de 1600 dias. Os investigadores do MADE também estão a trabalhar em cooperação com os pescadores para desenvolverem novas tecnologias e estratégias alternativas de pesca.
De acordo com Laurent Dagorn, integrar o conhecimento dos pescadores é essencial para o projecto. “Acreditamos que as medidas mais eficazes de gestão são desenvolvidas com a ajuda dos pescadores afectados pelas mesmas”, diz. “Estamos a fazer um grande esforço para envolver os pescadores em todas as fases da nossa investigação”.
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