A primeira indústria do pirarucu, também conhecido como bacalhau da Amazônia, será inaugurada nesta quinta-feira (25), pelo governo do Amazonas.
A unidade é a primeira da América do Sul e vai ser instalada no município de Maraã (a 635 quilômetros de Manaus), com capacidade para processar até 1,5 mil toneladas de pescado por ano.
O empreendimento é fruto de convênio entre a Secretaria de Produção Rural do Amazonas (Sepror) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) do Ministério da Ciência e Tecnologia.
Outra unidade semelhante – feita em parceria com a Suframa - está em fase de conclusão no município de Fonte Boa (a 680 quilômetros de Manaus).
A escolha dos municípios de Maraã e Fonte Boa deve-se ao fato da região produzir 85% do pirarucu manejado do Amazonas, na reserva de desenvolvimento sustentável Mamirauá.
Segundo informações da Sepror, os pescadores de Maraã tiveram autorização do Ibama para capturar 3.280 indivíduos em 2011. A pesca profissional de pirarucu, que é proibida por lei (a espécie está ameaçada de extinção), só pode ser realizada de forma manejada.
Filés
A indústria de Maraã tem capacidade para processar anualmente até 1,5 mil toneladas de pirarucu e outros peixes por ano. Já de Fonte Boa, deve beneficiar até 3 mil toneladas do produto.
Se cada tonelada de bacalhau for vendida a R$ 25 mil (o quilo a R$ 25), o faturamento das duas indústrias alcançará algo em torno de R$ 112,5 milhões, o equivalente a 2 vezes o orçamento anual das duas cidades.
Sessenta por cento do peixe processado é transformado em mantas (filé), dos quais 65% são aproveitados pelo processo de salga. As unidades de beneficiamento também estarão aptas a trabalhar com outras espécies de peixe.
Mas nem só Mamirauá vai abastecer as indústrias com pirarucu. As demais reservas sustentáveis do Estado também abastecerão as fábricas.
Retorno
O beneficiamento inclui produção de artesanato (com a retirada da língua), patês, óleos e farinhas, além da filetagem (corte da manta). Este passará pelo processo de salga, agregando alto valor através de processo igual ao do bacalhau na Europa.
O projeto das indústrias de salga inclui a instalação de creches para as funcionárias e pescadores que tiverem filhos, a construção de áreas de lazer e o principal: a participação no lucro do empreendimento por parte dos pescadores que fornecerem matéria-prima para a indústria.
Pirarucu
O Pirarucu (Arapaima gigas) é um peixe exclusivo da Bacia Amazônica. Exuberante, pode atingir até três metros de comprimento e pesar até 250 quilos.
Além da carne, grande parte do peixe é utilizado comercialmente: suas escamas são usadas como lixa de unha ou na confecção de ornamentos, e sua língua, óssea e áspera, é largamente utilizada para ralar o guaraná em bastão. Sua pele vem sendo utilizada na produção de sapatos, bolsas e vestimentas.