O Centro de Pesquisa do Pantanal (CPP), a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologias em Áreas Úmidas (INCT áreas úmidas) realizou hoje o lançamento do I Congresso Brasileiro de áreas Úmidas, que terá o estado de MT como sede, e o Pantanal como foco. Os organizadores anunciaram parte da programação e os objetivos do Congresso, que será de 08 a 10 de agosto. O tema central é “Água, Alimento, Energia, no Presente e no Futuro”. O lançamento marca o Dia Mundial das Zonas Úmidas, definido em 1971, com a assinatura da Convenção de Ramsar (Irã), ratificada pelo Brasil em 1996.
Dois eventos paralelos também irão compor a programação - o seminário “Turismo de Base Comunitária: Contribuição para a Sustentabilidade das Áreas Úmidas”, no dia 09 de agosto, e o “Fórum Empresarial: A responsabilidade social e as ações sustentáveis no Pantanal e áreas úmidas”, no dia 10 de agosto. Espera-se a participação de 800 pessoas, sendo 500 no Congresso e 300 nos outros dois eventos.
De acordo com o professor de Química da UFMT e fundador do CPP, Paulo Teixeira de Sousa Júnior, este evento irá marcar também os dez anos de criação da entidade. “Realizações ao longo dos anos nos deram autoridade científica para a realização deste evento, que também é uma oportunidade de discussões sobre o que o Pantanal mato-grossense tem a oferecer, não somente do ponto de vista turístico, como também econômico, sem gerar impactos para a comunidade local”, pontuou Teixeira.
“Em 2002, pesquisadores da UFMT fundaram o CPP, um marco na contribuição à demanda da sociedade em relação às áreas úmidas, e já em 2003 realizou um seminário internacional com participação de institutos avançados das Nações Unidas, com cientistas da Bolívia, Paraguai e Japão e, em 2008, o 8º Congresso Internacional de Áreas Úmidas)”, citou. Este último, o Intecol (International Wetlands Conference), foi realizado pela primeira vez na América Latina. Também em 2008 o CPP aprovou o Instituto Nacional de Pesquisas do Pantanal (INCT), no âmbito do Ministério da Ciência, tecnologia e Inovação (INCTI), cujo prédio está sendo construído no Campus da UFMT.
As áreas úmidas representam 20% dos biomas mato-grossenses, tendo no Pantanal sua maior representatividade. A sua importância reside nas funções de alimentação, estoque e regularização do fluxo de água, influenciando também na manutenção do ciclo do carbono e de outros gases do efeito estufa. Os pesquisadores alertam para os riscos de desaparecimento dessas áreas, como o que ocorreu com Everglades, nos Estados Unidos, cuja recuperação demanda, hoje, investimentos da ordem de 400 milhões de dólares do Governo americano.
“Muitos dos termos do Código Florestal devem ser revistos, devido à importância vital dessas áreas úmidas, que são responsáveis pela manutenção da vida nos ecossistemas e não têm recebido devida atenção”, atenta Teixeira, coordenador geral do Congresso.
Também participaram da reunião o professor Pierre Girard, do Instituto de Biociências da UFMT, coordenador científico do Congresso, e a jornalista Lauristela Guimarães, coordenadora dos eventos paralelos. Girard adiantou que serão três dias de trocas de informações científicas sobre como funciona o Pantanal, o que se pode fazer para mantê-lo e contar com seus serviços “Ele limpa as águas, fornece alimentos, proporciona atividades como criação de gado”, exemplificou. Entre os assuntos em pauta está também como as hidrelétricas construídas no entorno interagem com o Pantanal. Lauristela informou que os eventos relacionados ao turismo vão proporcionar a troca de experiências em relação ao turismo e, em especial, serão buscadas formas de agregar valor às atividades das comunidades tradicionais da região pantaneira.